23/05/2017 12h19 - Atualizado em 23/05/2017 12h19

Catar deve enviar missão de negócios ao Brasil, em setembro

O ministro Blairo Magg (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) encerrou, nesta segunda-feira (22), sua agenda no Oriente Médio, depois de reunir-se no Catar, com autoridades de governo, como o ministro da Economia, sheikh Ahmed bin Jassim Al Than. Do ministro do Catar, Maggi ouviu elogios à produtividade agrícola do Brasil e a tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, que permitiram o país se destacar na produção mundial de alimentos.

Blairo Maggi detalhou medidas adotadas depois da Operação Carne Fraca e esclareceu pessoalmente sobre os cuidados sanitários e a regras internacionais seguidas por frigoríficos brasileiros. Mesmo sem problemas com a sanidade dos produtos, o Ministério da Agricultura deixou de emitir certificados de exportação a plantas que estavam sendo auditadas ou investigadas, observou Maggi.

O ministro destacou a safra recorde de grãos que deverá ser colhida neste ano, de 230 milhões de toneladas, prevista pela Conab. “E, isso, sendo que o Brasil é um dos que menos subsidiam a produção”.

O ministro das Municipalidades e Meio Ambiente, Mohamed bin Abdullah Al-Rumahi, disse que deverá ser enviada uma missão de governo ao Brasil, em setembro. “Nossa relação com o Brasil é de alto nível. No Catar existe um carinho muito grande pelo Brasil”, afirmou. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que integra a comitiva, destacou que a empresa vinculada ao Mapa tem contribuído para as práticas sustentáveis em uso na agricultura do país.

Acompanhado também pelo secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Silva, Blairo Maggi, reuniu-se, também, com o sheikh Abdul Aziz Bin Ali Al-Thani, diretor de Planejamenro de Negócios da Qatar Investment Authority, que disse considerar o Brasil um parceiro estratégico e informou o interesse em realizar investimentos diretos no país.

Houve ainda audiência com Mohammed Bin Hamad Bin J. Al-Thani, diretor de Saúde Pública do Public Health Department , que elogiou a velocidade das respostas dadas pelo Mapa a pedidos de informações feitos pelo departamento e comentou ser importante que a comunicação continue aberta.
A missão de governo e empresarial incluiu o Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que passará a contar com um adido agrícola, em breve, segundo Maggi., e Emirados Árabes Unidos.

Rebanho no deserto

Na Arábia Saudita, foi visitado um dos maiores empreendimentos para produção de leite e derivados lácteos do mundo. A Almarai, em seis diferentes localidades em pleno deserto saudita, mantém um rebanho de 185 mil animais. “São 125 mil vacas, 95 mil em lactação, com média diária de 42 litros por cabeça em quatro ordenhas. Esta megaoperação gera cerca de 4 milhões de litros de leite diários”, contou o presidente da Embrapa.

A visita foi feita a Al Kharj, a 80 quilômetros ao sul da capital, Riad, com 20 mil vacas que produzem 840 mil litros diários. “O segredo para uma produção de leite bem-sucedida em um dos ambientes mais áridos do mundo é tecnologia. Em temperaturas desérticas normais, que podem chegar a 50 graus Celsius, os animais da raça Holstein são mantidos em ambientes com temperaturas entre 23 e 27 graus por meio de sistema automatizado com equipamentos que produzem nuvens de umidade, mantendo conforto térmico em galpões abertos que alojam os rebanhos”, disse Maurício Lopes.

Uma fábrica realiza o processo de pasteurização dos produtos lácteos, engarrafamento e acondicionamento ou sua transformação em produtos comercializados em 55 mil lojas de seis nações do Golfo. “O rendimento da Almarai exige investimento em função da redução das já deprimidas reservas de água do país. Estima-se que quatro quintos dos aquíferos da Arábia Saudita estão esgotados. Com praticamente nenhuma precipitação para reabastecê-los, o governo pretende eliminar completamente a produção de alimentos para os rebanhos (em grande parte já importados), o que pressionará a Arábia Saudita a importar todo o grão e forragens e, talvez a água, necessários para manter esta megaoperação no futuro”, destacou.

 

Fonte: MAPA

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