13/09/2017 13h19 - Atualizado em 13/09/2017 13h19

Emater-PR e Embrapa lançam resultados sobre manejo de pragas e doenças no Paraná

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Emater-PR promovem um treinamento sobre manejo integrado de solos e água e manejo integrado de pragas e doenças na soja, que será realizado entre 19 e 21 de setembro, na Embrapa Soja, em Londrina (PR), para aproximadamente 130 extensionistas da Emater. A abertura evento, no dia 19 de setembro, às 8h30, contará com a presença do secretário Estadual de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto A. Ortigara, do diretor presidente da Emater Rubens E. Niederheitmann, do chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias e do superintendente do Senar Humberto Malucelli Neto.

O objetivo é promover a capacitação continuada da assistência técnica do Paraná, fortalecendo as tomadas de decisão pautadas em critérios técnicos e ampliando a utilização de práticas conservacionistas. “Pretendemos apresentar informações qualificadas aos técnicos para que eles auxiliem os produtores nas tomadas de decisão, referentes a alguns dos principais temas que impactam a produção de soja”, ressalta o coordenador do projeto Grãos da Emater-PR, Nelson Harger.

Na safra 2016/2017, foram instaladas 163 Unidades de Referência (URs), em propriedades rurais de 75 municípios assistidos pela Emater, no Paraná. Os resultados obtidos nessas URs estão consolidados em duas publicações que serão lançadas no evento e distribuídas aos participantes: Resultados do Manejo Integrado de Pragas da soja na safra 2016/17 no Paraná e também Monitoramento de Phakopsora pachyrhizi para tomada de decisão do controle da ferrugem-asiática da soja: relato da experiência da Emater-PR na safra 2016-2017.

Durante o treinamento, os extensionistas irão receber ainda uma caderneta de campo para o monitoramento de insetos da soja. Segundo o pesquisador André Prando, no manejo integrado de pragas as etapas de amostragem, registro e monitoramento das populações de insetos-pragas e inimigos naturais, presentes na lavoura, são cruciais para a tomada de decisão de controle. A caderneta, no formato de bolso, facilita o registro, o transporte e o manuseio dos dados a campo e foi publicada com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR). “A caderneta também tem as orientações de como realizar as amostragens, além dos níveis de ação que devem ser considerados para tomada de decisão quanto à utilização de controle no MIP da soja”, diz Prando.

Manejo da Ferrugem-asiática da soja – A partir de um protocolo técnico de trabalho estabelecido na safra 2016/17, coordenado pelo extensionista Jorge Gheller, foram instalados 93 coletores de esporos para monitorar a presença precoce do fungo causador da ferrugem-asiática. A Emater vem utilizando há várias safras o modelo de coletor de esporos, idealizado por Seiji Igarashi, no qual há uma lâmina com fita adesiva dupla face que facilita a adesão dos esporos. “O objetivo é detectar a chegada do fungo à lavoura, e orientar o produtor sobre a necessidade ou não de realizar a aplicação de fungicida para controle da doença”, explica a pesquisadora Claudine Seixas, da Embrapa Soja.

Segundo ela, enquanto a média de aplicação de fungicidas no Paraná foi de 2,4 na safra 2016-17, nas propriedades assistidas (URs) em que as informações do coletor foram utilizadas, a média foi 1,5 pulverizações e sem diferença de produtividade. Também houve uma ampliação no tempo para a realização da primeira aplicação de fungicidas. No Paraná, os produtores, de uma forma geral, começaram a usar fungicidas 57 dias após a emergência da soja e nas URs apenas 75 dias depois. “Nosso objetivo é que o agricultor faça suas aplicações sempre se pautando em critérios técnicos ao invés de antecipar/calendarizar as aplicações, o que pode ampliar a utilização de fungicidas por problemas de resistência sem a real necessidade”, aponta Nelson Harger. “Além do aumento do custo, essa prática pode favorecer maior pressão de seleção de fungos resistentes aos fungicidas”, alerta.

MIP – Durante o treinamento haverá ainda o lançamento da publicação Resultados do Manejo Integrado de Pragas da Soja na safra 2016/17, editada pela Embrapa e Emater. A publicação reúne os resultados obtidos, na safra 2016/2017, em que se avaliou o impacto da utilização do Manejo Integrado de Pragas. Em áreas em que não se fez o MIP, a média foi de 3,6 aplicações no Paraná. Por outro lado, a aplicação de inseticidas foi reduzida para 2 aplicações, o que representa diminuição de 45%, nas URs assistidas pela Emater. “Confirma-se mais uma vez que o Manejo Integrado de Pragas é uma prática que orienta o produtor na redução do uso de inseticidas”, explica o pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Soja.

Além disso, as URs entraram com a primeira aplicação de inseticidas aos 70 dias, enquanto que na safra anterior havia sido aos 66 dias. “Parece pouco, mas quanto maior o intervalo entre a semeadura e a primeira aplicação, menor o número de aplicações necessárias, menos produto é usado e menor é o custo”, avalia Conte. O pesquisador destaca que o controle de pragas mais tardio, associado com a redução de intervenções resultou em uma redução no custo, equivalente a cerca de 1,8 sacos por hectare. “Este valor torna-se expressivo diante do cenário atual de lucratividade restrita”, avalia Conte. O pesquisador ressaltou ainda como ponto positivo da safra 2016/17 a realização de 17 Giros-técnicos, eventos em que a Embrapa e a Emater discutiram temas relacionados ao MIP e o MID com quase 800 agricultores de todas as regiões do Estado.

 

Fonte: Emater

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