24/07/2017 13h45 - Atualizado em 24/07/2017 13h45

Evento discute o futuro da triticultura no Brasil

Sustentabilidade do cultivo depende da integração entre os elos da cadeia produtiva, investimento em pesquisa e políticas públicas eficientes.

Somos um país Agro, não há dúvidas de que nossa economia se apoia no setor para garantir uma balança comercial favorável e certa estabilidade, mesmo diante do conturbado cenário político e econômico atual. Prova disso é que estamos entre os três maiores exportadores de alimentos mundiais, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O plantio do trigo aparece como excelente alternativa para cultura de inverno em rotação com a soja, garantindo boa cobertura e proteção do solo. Temos áreas com condições climáticas favoráveis ao plantio e uma indústria moageira responsável pela demanda interna que vem sendo atendida majoritariamente por importação, em especial de países do Mercosul, como Argentina e Paraguai. Como explicar então o declínio das áreas plantadas e o baixo interesse dos produtores?
Estes e outros pontos cruciais para o crescimento da triticultura no país serão discutidos durante a 11ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) e o Fórum Nacional do Trigo 2017, realizados pela COODETEC, de 25 a 27 de julho, em Cascavel/PR.
O painel de abertura já aponta o intercâmbio entre todos os elos da triticultura ao reunir o produtor rural João Luiz Ferri, de Campo Mourão; o pesquisador da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA, Juliano Luiz de Almeida e o secretário de Políticas Públicas do MAPA, Neri Geller para debaterem juntos “O futuro do trigo no Brasil: soluções para o crescimento”.
Para o pesquisador Juliano Almeida, é importante observar que o Brasil é um dos poucos países do mundo (ao lado da Índia) a ter desenvolvido tecnologias para o cultivo do trigo em condições subtropicais e tropicais. Razão pela qual as doenças do trigo no Brasil são mais severas do que em outros países de clima temperado, elevando o custo de produção e diminuindo nossa competitividade na cultura. “Temos que continuar a investir em melhoramento genético para obter não somente cultivares mais produtivas como também mais tolerantes às principais doenças, além de melhorar nossa tecnologia de aplicação de fungicidas para evitarmos desperdícios e sermos mais sustentáveis”, afirma.
Mesmo diante dos desafios, algumas regiões do país produzem trigo com qualidade superior ao importando, praticando o direcionamento de cultivares e segregação de lotes para o atendimento específico de demandas de qualidade das indústrias alimentícias. Mas, segundo o produtor João Luiz Ferri, de Campo Mourão, a falta de proximidade entre indústria e produtor ainda dificulta a comercialização do grão. “Evoluímos muito em qualidade e tecnologia nos últimos anos, mas falta diálogo entre os elos da cadeia produtiva do trigo. O produtor está investindo em tecnologia, qualidade de solo, variedades melhores, mas continua sendo pago por quantidade e não por qualidade”, explica o produtor.
O Governo é a outra parte importante desta corrente, que pode buscar soluções para beneficiar a economia e os produtores nacionais. “Como nosso trigo tem um custo mais alto e compete no mercado brasileiro com trigo oriundo de países com custo de produção mais baixo tem que haver uma política efetiva por parte do governo, seja diminuindo impostos dos fertilizantes e agroquímicos ou adotando políticas públicas que favoreçam a comercialização”, conclui Juliano Almeida.
A programação da 11ª RCBPTT e do Fórum Nacional de Trigo 2017 aborda ainda temas como comercialização e industrialização do trigo, inovação tecnológica na cultura de trigo, manejo da fertilidade como ferramenta para aumentar o rendimento e a avaliação das safras anteriores em diferentes regiões do país. As inscrições antecipadas já foram encerradas, mas os interessados em participar podem se inscrever no local do evento.

 

Fonte: COODETEC

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