17/08/2017 13h13 - Atualizado em 17/08/2017 13h13

País terá de investir em novos biocombustíveis para cumprir Acordo de Paris

O Brasil vai precisar de mais do que biodiesel e etanol para ter 18% da matriz energética baseada em biocombustíveis até 2030, como se comprometeu no Acordo de Paris. Análises feitas pela Embrapa Agroenergia apontam que, no cenário otimista mais factível, esses dois produtos poderiam responder por, no máximo, 12,3% do total de energia de que o País necessitaria daqui a 13 anos.

O pesquisador Bruno Galvêas Laviola, da Embrapa Agroenergia, explica que o texto da contribuição estabelecida pelo Brasil (iNDC) não deixa claro se está incluída na meta a bioeletricidade – gerada com a queima do bagaço de cana, por exemplo. No entanto, se for incluída, não haverá ganhos que contribuam para reduzir a emissão de gases de efeito estufa do País em 43%, como se comprometeu o governo. Isso porque, atualmente, a bioenergia como um todo já responde por muito mais do que 18% da matriz energética nacional. O desafio seria chegar a esse índice com os combustíveis veiculares e outros como biogás. “É uma meta audaciosa, se considerados apenas os atuais biocombustíveis”, avalia.

Considerando as estimativas do setor para o crescimento da oferta de etanol, o combustível mais consolidado no País, a equipe calculou quanto precisaria aumentar a produção e uso de biodiesel para atender a meta. Em um primeiro cenário, com o etanol crescendo 5,1% ao ano, a quantidade de biodiesel adicionada ao diesel teria que subir para 69%, o que exigiria a instalação de mais 395 usinas – atualmente, a mistura é de 9% e há 43 usinas no Brasil. Mesmo que a taxa de crescimento do etanol fosse o dobro, ainda seria necessário chegar a 48% de biodiesel no diesel e construir 267 novas indústrias para que os dois biocombustíveis, juntos, respondessem por 18% da matriz energética nacional.

Além do alto investimento, a indisponibilidade de matérias-primas e necessidade de adaptação de motores inviabilizam tal elevação na mistura de biodiesel ao diesel. Matéria-prima é, certamente, um gargalo importante. Desde o início do programa de biodiesel no Brasil, o óleo de soja responde por algo entre 70% e 80% do total de matérias-primas utilizadas pela indústria, já que é a única oleaginosa com escala de produção suficiente para atender um setor que necessita de grandes volumes de insumos.

O cenário de crescimento mais factível para o biodiesel é chegar a uma mistura de 15% em 2030, o que exigiria o óleo de 35% da safra de soja brasileira. Mas também carrega um desafio grande. Hoje, apenas 41% da produção do grão é esmagada no País, sendo 15% do óleo obtido destinado às usinas de biodiesel. Os outros 59% são exportados in natura e constituem um dos principais itens da pauta de exportações brasileiras que equilibra a balança comercial. “O aumento do esmagamento de soja no país para biodiesel teria impacto direto no comercio internacional do grão”, pontua Laviola.

Chegando à mistura de 15%, o biodiesel poderia responder por 3,7% da matriz energética brasileira. Mesmo que o etanol crescesse o dobro do esperado, ainda faltaria 5,7% para os dois combustíveis atenderem sozinhos a meta definida. Aumentar a mistura de biodiesel para 20% exigiria, contudo, consumir o óleo de quase 50% da soja colhida no País em 2030, o que dificilmente seria viável. “No caso do biodiesel, se não houver diversificação de matérias-primas, com escala de produção, será complicado aumentar a mistura em patamares superiores a 15%”, alerta.

Um novo combustível verde que poderia ajudar o País a cumprir o compromisso firmado em Paris é o bioquerosene para aviões. O setor aéreo internacional tem metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e, no Brasil, há iniciativas para promover o abastecimento com derivados de biomassa, a exemplo da plataforma mineira e da plataforma pernambucana. O biogás é outro combustível com bastante potencial, principalmente porque aproveita resíduos – de 2015 para 2016 cresceu 46,2%.

 

Fonte: Embrapa

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